
O álbum de estréia, Exagerado, veio com grandes sucessos, como Codinome Beija-Flor e Mal Nenhum, o début “mais autoral” – como ele mesmo dizia – de Cazuza foi encabeçado pelo hit que dava nome ao disco.
A letra de Exagerado foi composta pelo cantor e pelo produtor musical Ezequiel Neves. O desafio musical ficou a cargo de Leoni, guitarrista do Kid Abelha, que recebeu dos dois letristas um grande poema. A única recomendação feita por Cazuza era que a música tivesse um ar meio latino, como um bolero: lancinante e rasgado para combinar com os arroubos de uma letra que brinca com a caricatura em versos como “destinos traçados na maternidade” e “te trago mil rosas roubadas” e, ao mesmo tempo, se afasta do romantismo ingênuo e esbanja auto-ironia e dubiedade ao declarar “adoro um amor inventado”.
Leoni não conseguiu atender o pedido do amigo, pois sua escola era mesmo o rock’n’roll e o aprendizado se dava com os discos dos “professores” gringos, como The Who, e com os colegas de bandas parceiras que faziam a lição de casa e a história do gênero no Brasil da década de 1980.

Na época, o país era tomado por uma onda pós-punk e new wave. A receita misturava um estilo de punk cru com letras politizadas ou declarações de amor explícitas. As principais frentes do rock formaram-se em Brasília, com Legião Urbana e Capital Inicial, e no Rio de Janeiro, com Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha e Lulu Santos. Mais isoladas, bandas como Ira!, em São Paulo, e Engenheiros do Hawaii, no Rio Grande do Sul, também eram formadas por garotos que ajudaram a moldar e a disseminar um estilo inspirado no som e na atitude de ídolos internacionais, mas em versão tropicalizada.
E assim nasceu Exagerado com uma melodia simples e marcante, e a harmonia, toda construída com acordes maiores, menores e poucas dissonâncias mais tensas. Cazuza gravou 126 músicas, mas não há outra que represente um auto-retrato tão perfeito como Exagerado.
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