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segunda-feira, 29 de março de 2010

Vamos dançar kizomba?

A lambada escandalizou em sua época pela dança sugestiva, de forte insinuação sexual. Entre os jovens, o ritmo teve sucesso absoluto, e a lambada acabou virando novela - e até filme. Outra dança sensual que segue a vertente da lambada é a kizomba - com a diferença de ter vindo do outro lado do atlântico - da África, mais especificamente de Angola.

A kizomba é um gênero musical e de dança angolano, nascido no final da década de 70. Ela é uma mistura de outros ritmos, como o semba e o zouk. O semba é um ritmo africano tradicional; a kizomba veio apimentar as coisas.

O ritmo é lento, mas muito insinuante. O casal dança em movimentos bem excitantes, suaves, sugestivos. As letras das músicas falam de temas recorrentes em estilos assim: paixão, ciúmes, traições. A música tem a percussão como base, e usa um tambor grave chamado surdo. O chimbau, ou prato de choque, também auxilia na construção melódica da kizomba.

É fácil encontrar músicas de kizomba cantadas não só em português, mas também em crioulo e francês. O ritmo é bastante popular não só em Angola, mas também em países próximos, como Cabo Verde.

Trago pra vocês "Nta amabo", kizomba cantada em crioulo pela caboverdeana Neuza, uma das estrelas do gênero em seu país:




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terça-feira, 9 de março de 2010

"Voz de veludo" nigeriana

Depois de um certo tempo, algumas lembranças ficam guardadas na memória de cada um de nós. Normalmente, essas recordações são de momentos com a família, amigos, ídolos e heróis. Acho que todos são assim ou pelo menos, a maioria é. Bem, quero compartilhar uma boa lembrança que guardei de um certo momento da minha infância.

Poucas pessoas a conhecem, mas muitas já ouviram, pelo menos uma vez, uma de suas canções. Estou falando da cantora nigeriana Helen Folasade Adu, mais conhecida como Sade Adu. Ela tem uma música chamada "By Your Side" que além de ter uma letra muito bonita, o clipe é absolutamente maravilhoso, parece que você é transportado para um mundo de sonhos. O vídeo, da mencionada canção, você poderá ver e escutar abaixo.

Mas voltando a Sade Adu...

Desde 1980 na carreira de cantora, Sade cresceu ouvindo mestres do soul e do jazz como Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Donny Hathaway,Ray Charles, Nina Simone, Al Green, Aretha Franklin e Billie Holliday. Apesar dessas influências, não decidiu dedicar sua vida à música. Tanto que estudou desenho de moda no 'St Martin's Art College', em Londres onde foi criada. Porém, logo descobriu que o mundo da moda não lhe permitia um bom equilíbrio entre o gosto de criar e a necessidade de ganhar a vida.

Descobriu o seu talento musical quando aderiu a uma banda formada por alguns dos seus amigos de colégio. Rapidamente passou a ser a vocalista de uma banda de funk latino chamada Pride. Aos 24 anos Helen assumiu-se como elemento central de uma nova banda, Sade, formada por si e por elementos da então extinta Pride - Stuart Matthewman, Andrew Hale e Paul Spencer Denman.

Seu disco de estréia, Diamond Life, ocupou o topo das paradas inglesas em 1984. Em novembro de 1985, lançou seu segundo cd (Promise) que ficou mais de seis meses nas listas dos mais vendidos dos Estados Unidos e de vários outros países do mundo. Sucesso merecido não só pela deliciosa e exótica "voz de veludo" da cantora, mas também por ter sido ela própria a responsável por muitas das composições do disco.
Em 1986, ganhou seu primeiro Grammy como "artista revelação". Aos poucos, esmerou-se ainda mais na carreira de compositora e participou de discos como convidada, como os álbuns beneficentes do Greenpeace.

Pois é, conheci essa cantora incrível na minha infância e ela tornou-se parte das minhas boas lembranças. Espero que todos possam apreciar também a sua bela voz e lindas canções.

Diferença

Salif Keita não é só um mito da música do Mali, mas de toda África. Cantando em francês, inglês ou mesmo em algum dialeto de seu país que não podemos traduzir, Keita tem o maravilhoso dom de tocar a alma de quem ouve sua música.
Nascido em Djoliba em agosto de 1949, Keita é descendente direto do fundador do império malinense, Sundiata Keita. Conhecido como "a voz dourada da África", Keita sofreu com o ostracismo durante anos, já que é albino, e na cultura Malinka isto é um sinal de maldição. Começou sua carreira artística em 1967, quando mudou-se para Bamako e juntou-se a uma banda chamada Super Rail Band de Bamako. Em 1970, fugindo da instabilidade política em seu país, muda-se para Costa do Marfim. Foi durante os anos 70 que Salif e a banda da qual fazia parte na época, Les Ambassadeurs, conquistaram sucesso internacional. Em 1977 ele recebeu a Ordem Nacional do presidente da Guiné, Sékopu Touré, espécie de homenagem pela sua arte. Keita mudou-se para Paris nos anos 80, onde vive ainda hoje.
Em sua música, há a mistura de ritmos de raiz africana, de países como Mali, Senegal e Costa do Marfim, e música de Portugal e Espanha. Ele faz um caldeirão musical poderoso, com saxofone, violão e instrumentos tradicionais africanos, como kora, balafon e djembe, que é uma espécie de tambor.

Trago pra vocês duas canções muito bonitas de Keita: "La différence" (A diferença), de seu mais novo álbum, e "Yamore", que ele gravou com a "diva aux pieds nuds" de Cabo Verbe, Cesária Évora (outra lenda da música africana, de quem falaremos mais tarde). Em "La différence", Keita faz um protesto contra o preconceito sofrido pelos albinos em sua terra natal, invocando a tolerância e a sensibilidade dos seres humanos. "Yamore" é uma canção de amor muito, muito bonita, cantada, em parte, em crioulo caboverdeano.

Salif Keita - "La différence"
(o clip é super-criativo)

Salif Keita e Cesária Évora - "Yamore"



Mais sobre Salif Keita em seu site oficial (em francês)