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segunda-feira, 28 de junho de 2010

George Harrison: A música que alimenta a alma

Durante o auge da beatlemania, George Harrison ficou conhecido como o "beatle tímido" devido a sua maneira introspectiva e tendência a falar pouco durante as entrevistas. Apesar da imagem de "beatle tranquilo", a maioria dos amigos, como Eric Idle, membro do Monty Python, asseguram que na intimidade ele era muito falante, contradizendo a imagem que a imprensa tinha a seu respeito.

A partir de 1965, George começou a contribuir frequentemente com composições para os Beatles. No álbum Help!, ele lançou duas composições próprias: "I Need You" e "You Like Me Too Much". No álbum Revolver, de 1966, George começou a compor cada vez mais e com mais qualidade, chegando a competir no mesmo nível com as composições de Lennon/McCartney. Neste álbum ele conseguiu lançar pela primeira vez três canções de sua autoria. Mas só em 1968 uma composição sua atingiria grande sucesso, a canção While my Guitar Gently Weeps, incluída no álbum duplo The Beatles (Álbum Branco).

Something foi a primeira canção de George a ser lado A de um compacto dos Beatles, "Something/Come Together". Ela é considerada sua mais bela canção e foi regravada por Elvis Presley e Frank Sinatra. Para Frank Sinatra, esta era "a melhor canção de amor dos últimos 50 anos" entretanto, ironicamente, Sinatra pensava que sua canção favorita tinha sido escrita por Lennon/McCartney. Porém, posteriormente na apresentação "Concert for the Americas", Sinatra antes de fazer sua versão de "Something", a credita como graciosamente escrita por Harrison.

Após a separação dos Beatles, em 1970, ofuscado por anos por John Lennon e Paul McCartney, George Harrison lançou grande parte do material que havia acumulado e iniciou sua carreira solo. O primeiro álbum de George foi um sucesso de crítica e de público. All Things Must Pass, de 1970, é considerado por muitos como o melhor disco de um ex-beatle e um dos melhores discos da história. O álbum atingiu o primeiro posto das paradas de sucesso britânicas e estadunidenses, incluía sucessos como as músicas My Sweet Lord, Isn't It a Pity e What is Life.

Seu próximo álbum se chamou Living in a Material World (1973) e fez sucesso com a canção "Give me Love (Give me peace on Earth)", segunda a atingir o primeiro lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, depois de "My Sweet Lord".

Após o assassinato de John Lennon, em 1980, escreveu a canção "All those years ago" em sua homenagem e chamou Paul McCartney, Linda McCartney e Ringo Starr para participarem da gravação. A canção foi lançada no álbum de 1981, Somewhere in England e se tornou um sucesso, atingindo o segundo lugar nos Estados Unidos.

Depois da turnê, George desapareceu da mídia e começou sua batalha contra o câncer de pulmão. O primeiro sinal de câncer de George apareceu na década de 90. Ele enfrentou várias cirurgias para eliminá-lo. Apesar dos tratamentos agressivos, logo se descobriu que era terminal, decidindo de imediato passar seus últimos dias em família e trabalhar em alguns projetos para posteriormente serem terminados por sua viúva e filho.

George faleceu dia 29 de novembro de 2001 em Los Angeles aos 58 anos de idade. Seu corpo foi cremado e alguns afirmam que suas cinzas jogadas no Rio Ganges embora a família não tenha oficialmente confirmado. Sua morte foi devido ao câncer que havia atingido ao cérebro. Após a sua morte, sua família emitiu um comunicado: "Abandonou este mundo como viveu: consciente de Deus, sem medo da morte e em paz, rodeado de familiares e amigos". Harrison costumava dizer: "Tudo pode esperar, menos a busca de Deus".

Exatamente um ano após sua morte, Olívia Harrison, sua mulher, e Eric Clapton, seu amigo, organizaram o Concert for George, no Royal Albert Hall, em Londres. O concerto contou com a presença do filho de George, Dhani, além de grandes amigos como Ravi Shankar, Tom Petty, Jeff Lynne, Billy Preston, Jim Capaldi, Paul McCartney, Ringo Starr, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Ray Cooper, integrantes do Monty Python e Tom Hanks.

George Harrison escreveu algumas das canções que eu mais gosto, enquanto esteve nos Beatles e também em sua carreira solo. Mas acho que "While My Guitar Gently Weeps" e "Something" são as minhas preferidas. Fiquemos com "While My Guitar Gently Weeps" no vídeo abaixo:

sábado, 26 de junho de 2010

Paul McCartney: O autor das mais belas baladas

Em 1979, o Livro Guinness dos Recordes declarou-o como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos. Teve 29 composições de sua autoria no primeiro lugar das paradas de sucesso estadunidense. Vinte das quais junto com os Beatles (que compôs junto com John Lennon) e o restante em sua carreira solo ou com seu grupo Wings. É o baixista mais famoso da história do rock, embora também toque outros instrumentos, como bateria, piano, guitarra, teclado, etc.

Paul McCartney é conhecido mundialmente como o baixista dos Beatles, uma das mais famosas bandas de todos os tempos. Junto com John Lennon, McCartney formou uma das mais influentes e bem sucedidas parcerias musicais de todos os tempos, "escrevendo as canções mais populares da história do rock". Após a dissolução dos Beatles em 1970, McCartney lançou-se em uma carreira solo de sucessos, formou uma banda com sua primeira esposa Linda McCartney, os Wings. Ele também trabalhou com música clássica, eletrônica e trilhas sonoras.

Durante os Beatles, McCartney e John Lennon escreveram juntos a maior parte dos sucessos da banda. McCartney era o que mais escrevia canções românticas. São de sua autoria canções como "Yesterday", "And I Love Her", "Michelle" e "Here There and Everywhere". Embora Paul sempre fosse acusado de só escrever baladas, ele também escreveu várias canções com um estilo mais pesado como "Back In The USSR", "Helter Skelter" e "The End". A canção "Yesterday" é a mais regravada por outros artistas em todos os tempos.

Em seu primeiro álbum após o fim do Beatles, McCartney, Paul escreveu todas as canções, gravou todos os instrumentos e produziu o disco em um estúdio particular de sua casa, com Linda fazendo os vocais de apoio. O disco foi considerado caseiro demais para os críticos, mas mesmo assim McCartney conseguiu fazer sucesso com a canção "Maybe I'm Amazed" e "Every Night".

Depois do disco solo Ram, ainda em 1971, Paul voltaria a formar uma nova banda, os Wings. Sua nova banda teve durante os anos de sua existência como integrantes fixos Paul McCartney, Denny Laine (ex-Moddy Blues) na guitarra e Linda McCartney nos teclados. Outros integrantes não eram fixos como os três.

Os Wings lançaram seu primeiro trabalho em 1972, Wild Life. No mesmo ano, os Wings apresentaram-se pela primeira vez ao vivo em algumas universidades inglesas. Atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso, com este álbum e com a canção "My Love". No mesmo ano, a banda lançou a canção "Live And Let Die", parte da trilha sonora do filme de 007 - James Bond: Viva e Deixe Morrer.

O álbum seguinte foi o álbum de maior sucesso da banda, Band on the Run, eleito o disco do ano, apresentando hits como Jet e a faixa-título. Em 1974, os Wings lançaram o álbum Venus and Mars e no ano seguinte o álbum Wings at the Speed of Sound com a canção "Silly Love Songs", em resposta a provocação de John Lennon em "How dou you sleep?" do álbum Imagine.

Durante esses últimos anos, McCartney realizou espetáculos que entraram para a história. Apresentou-se duas vezes na partida final do Super Bowl (em 2002 e 2005), finalizou o show em comemoração ao Jubileu da Rainha da Inglaterra Party at the Palace, participou de uma homenagem feita ao ex-beatle George Harrison no Royal Albert Hall em Londres (Concert for George em 2002), fez o primeiro show da história da canção no Coliseu de Roma, apresentou-se pela primeira vez em Moscou (em 2003), tocou no famoso festival inglês Glastonbury Festival (em junho de 2004), tocou no Rock in Rio Lisboa (em 2004) e abriu e finalizou o show do Live8 (em julho de 2005). No ano de 2005, McCartney lançou o disco Chaos and Creation in the Backyard, que foi indicado ao Grammy de melhor álbum.

Paul sempre foi considerado o mais talentoso dos Beatles. E depois de George Harrison, é o meu beatle favorito. Agora, veja, no vídeo abaixo, a canção "My Love", composta por ele em homenagem à sua ex-esposa, Linda McCartney:


John Lennon: A música que traz esperança

Dentre as suas maiores composições estão "Help!", "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love" enquanto fazia parte dos Beatles e "Imagine", "Instant Karma!", "Happy Xmas (War Is Over)", "Woman", "(Just Like) Starting Over" e "Watching the Wheels" em carreira solo.

Em 2002, entrou em oitavo lugar em uma pesquisa feita pela BBC como os 100 mais importantes britânicos de todos os tempos. E recentemente, em 2008, foi considerado pela revista Rolling Stone, o 5º melhor cantor de todos os tempos. Ainda hoje, seu nome é sinônimo de esperança e coragem para milhares de fãs. Este é John Lennon.

Na primeira fase dos Beatles, John era responsável pela maioria das composições, mesmo elas sendo assinadas como dupla Lennon/McCartney. Era evidente sua liderança e maior produtividade musical na banda. John Lennon também começou a desenvolver-se como letrista e compôs algumas canções mais intimistas influenciadas por Bob Dylan como "I'm a loser" e "You've got to hide your love away". Durante a segunda fase dos Beatles, John revelou-se cada vez mais um grande letrista. Entre suas composições estão "All you need is love", "Strawberry Fields Forever", "A day in the life" e "Across the Universe" entre outras.

Em 1966, John, na época casado com Cynthia Powell, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Ela foi e ainda é taxada por muitos fãs dos Beatles como uma das principais causas da separação do grupo. Também é tida como uma aproveitadora e manipuladora da carreira solo de John, uma mulher sem talento musical que se fez presente em muitos álbuns solos do cantor. Por outro lado, seus defensores alegam que Yoko é atacada por não fazer parte de uma padrão de beleza comum. Alegam que Yoko estimulou John a ter uma atitude mais preocupada com problemas sociais (guerra, violência, política, etc.) e a viver mais intensamente sua vida privada com o filho e a família. Seja como for, Yoko é uma figura polêmica entre os fãs do cantor e músico, mas que viveu ao seu lado, recebendo inúmeras declarações de amor de John até sua morte.

Junto a Yoko Ono, John começou sua carreira solo mesmo ainda fazendo parte dos Beatles, mas sem muito sucesso. Ele lançou o primeiro álbum, Two Virgins, em novembro de 1968. Two Virgins era um álbum experimental e que trouxe gravações caseiras. A capa do álbum causou polêmica, pois os dois apareceram nus. Um mês antes do lançamento do álbum, eles foram presos pela polícia por porte de drogas.

Em 1971, John atinge o sucesso com o álbum Imagine. A faixa-título faz muito sucesso e torna-se um hino da paz no mundo inteiro. John viria a dizer, pouco antes de sua morte, que parte da letra de "Imagine" era de Yoko, apesar de ele não haver creditado a parceria à esposa. O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso estadunidense e inglesa.

Após cinco anos de reclusão, em 1980, John Lennon voltou a gravar um novo álbum, Double Fantasy. Durante este período de reclusão, John gravou alguma coisa em sua casa e compôs algumas canções. O álbum foi dividido entre canções de Lennon e Yoko. Em "(Just Like)Starting Over", John faz referências à sua volta. "Starting Over" e "Woman" atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso. Ainda fizeram sucesso "Watching the Wheels" e "Beautiful Boy", sucesso que foi impulsionado pela morte de John Lennon.

Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou dando 5 tiros em John Lennon com revólver calibre 38. A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, "O Apanhador no Campo de Centeio" de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80 % de seu sangue, aos quarenta anos de idade. Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao apartamento, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.

O assassino foi preso, pois permaneceu no local, esperando os policiais chegarem. Ao entrar na viatura, pediu desculpas aos policiais pelo "transtorno que havia causado". Em seu julgamento alegou ter lido em "O apanhador no Campo de Centeio" uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Acabou sendo condenado à prisão perpétua e até hoje é mantido numa cela separada de outros presos, devido às ameaças de morte que recebeu.

Após a morte de John, foi criado um memorial chamado Strawberry Fields Forever no Central Park. Alguns discos póstumos foram lançados, como Milk and Honey, com sobras de canções do disco Double Fantasy. Várias coletâneas e um disco chamado Accoustic foram lançados em 2005. Yoko Ono administra tudo o que se refere a John Lennon, suas canções em carreira solo, seus vídeos e filmes.
Philip Norman escreveu a biografia: "John Lennon - A Vida", onde revela fatos polêmicos sobre o cantor, como a vontade de ter tido relações sexuais com sua mãe ou um possível caso amoroso com seu empresário, Brian Epstein. O livro mostra retrata um sujeito inseguro, às vezes violento e venenoso, além de criativo, talentoso, bondoso e corajoso.

No documentário Imagine, onde alguns familiares e amigos falam como era conviver com o cantor, Yoko Ono diz que o ex-beatle era como “um velho soldado que lutava ao meu lado”. Odiada por muitos que a consideram o pivô da separação da maior banda de todos os tempos e extremamente amada por John Lennon que declarou em uma de suas músicas que não acreditava em religião, no Bob Dylan, na política, nos homens, mas acreditava nele e na Yoko. Fiquem com a belíssima canção “Woman”, escrita por John Lennon em homenagem à sua musa, Yoko Ono.


sábado, 5 de junho de 2010

O lorde da música

“Música assim não surgia neste país desde a morte de Henry Purcell”, disse Gustav Holst depois de ouvir Variações Enigma, do colega Edward Elgar. Para ter idéia do peso da frase, basta lembrar que Purcell morrera quase três séculos antes, em 1695. E, desde então, a Inglaterra não produzira um único criador de primeira linha. Elgar ocupou esse espaço. Ele liderou o que se convencionou chamar de renascimento da música britânica entre 1880 e 1920. Os ingleses o colocam no mesmo patamar de contemporâneos ilustres, como Richard Strauss e Gustav Mahler.

Elgar foi o músico que melhor representou os derradeiros momentos de esplendor do Império Britânico. Sua música exibe um forte caráter nacional, resultado do mergulho do compositor nas paisagens, nas canções e no perfume tão específico do campo inglês. Onde, aliás, ele nasceu: na pequena Broadheath, próximo de Worcester, no centro geográfico do país.

Edward Elgar nasceu em um ambiente musical. Seu pai era afinador de pianos e tinha uma loja de instrumentos. Nesse espaço cheio de pianos, violinos e violoncelos, Elgar ainda criança, iniciou seus estudos como autodidata. Somente aos 15 anos, decidiu estudar música de forma mais séria, aprendendo violino e piano. Como violinista, trabalhou pessoalmente com Dvorák, que muito o impressionou e veio a influenciá-lo em sua escrita. Como excelente músico que era, foi convidado a ensinar música e se tornou chefe de banda de alguns grupos de sua cidade.

Apesar de ser respeitado como músico e professor, Elgar conheceu o sucesso como compositor somente aos 42 anos, com a peça que, particularmente, me agrada muito: As Variações Enigma. Trata-se de seu primeiro grande trabalho para orquestra. Suas obras subseqüentes despertaram natural interesse, mas o sucesso alcançado por Enigma se repetiria somente com as marchas Pomp and Circunstance e com o Concerto para Violoncelo e Orquestra, composto pouco antes de sua morte e um dos mais belos do gênero.

As Variações Enigma retratam a mulher de Elgar, os amigos e Dan, seu amado cão, além de um autorretrato. A palavra enigma se justifica de duas maneiras. A primeira: o tema de seis compassos em sol menor enunciado apenas pelas cordas, seguido de quatro compassos em sol maior, é considerado como o contraponto de uma melodia muito conhecida. Entre as inúmeras alternativas imaginadas, o God Save the Queen, o hino nacional inglês, seria a tal melodia misteriosa. Mas o enigma jamais foi resolvido. O segundo uso do termo se refere às 14 variações. Cada uma delas é dedicada, por iniciais ou pseudônimo, a um amigo ou parentes próximos. No frontispício da partitura, está escrito: “Aos meus amigos que nela estão retratados”.

Com melodias elegantes, orquestração rica e cuidadosa, harmonia avançada, mas sem ser revolucionária, Elgar soube, como poucos, retratar na música as características de seu país e de si próprio. A alma e o humor de suas obras, a perfeição de suas formas, a serenidade de seu discurso exigem de quem as recria um ponto de equilíbrio para que o som flua naturalmente. Para quem escuta, é sempre um momento de prazer e encanto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Holst, o educador musical


Gustav Holst foi um músico brilhante, um homem totalmente dedicado ao ensino e à composição. Vinha de uma longa ascendência familiar musical. Seu avô era um grande harpista e professor do instrumento, seu pai foi organista, e a mãe, cantora. Ele e a irmã cresceram nesse rico meio da música e, principalmente, do ensino, que mais tarde acabou por notabilizá-lo como diretor de música. Holst aprendeu piano e violino e, depois, em função de problemas na mão, acabou adotando o trombone. O ambiente culturalmente efervescente da casa despertou nele o prazer pela literatura, pelas artes plásticas e, claro, pela música. Foi influenciado inicialmente por Grieg, Wagner, Richard Strauss e Ravel, bem como pelo hinduísmo e pelas canções folclóricas inglesas.

Fascinado pelas diferentes culturas do mundo e suas sociedades, sua curiosidade e seu desejo de conhecimento o transformaram num viajante inveterado. Adorava caminhar pelas cidades e dizia que a melhor forma de conhecer um lugar era se perdendo nele. Foi em uma dessas viagens que Holst entrou em contato com a astrologia, outra paixão que acabou virando um hobby e, depois, o inspirou a compor sua obra mais famosa: Os Planetas.

Com clara influência de Stravinsky e Schoenberg, a música de Holst – principalmente Os Planetas – tem uma métrica pouco usual, melodias agressivas e, ao mesmo tempo, em função de sua variada formação e seu caráter pessoal, uma linguagem lírica e esotérica.
Perceba todas essas paixões nessa obra maravilhosa que é Os Planetas, que representa muito bem o nascimento do século 20, o século das descobertas, dos contrastes e da multiplicidade de idéias, linguagens e estilos.

domingo, 18 de abril de 2010

Continue sorrindo, apesar de tudo


Tempos Modernos tornou-se um dos filmes mais conhecidos de Charles Chaplin muito por causa das cenas da primeira parte da história, nas quais o personagem Carlitos aparece como empregado de uma linha de montagem que acaba sendo engolido pela máquina. O trabalho de apertar parafusos é tão repetitivo que produz no protagonista comportamentos obsessivos mesmo fora do ambiente da fábrica. Amalucado, ele passa a apertar qualquer botão que encontra pela frente, como os que vê no vestido de uma senhora que cruza a rua. A crítica à forma mecânica da exploração do trabalho em linhas de produção é evidente, mas não é a única que o filme faz.

Na rua, Carlitos vê um passar um caminhão, de onde cai uma bandeira, possivelmente vermelha (o filme é em preto-e-branco). Ele a pega para devolver e logo aparece, atrás dele, uma manifestação de trabalhadores. O personagem é então preso e acusado de ser comunista. Por esta e outras o filme, supostamente de conteúdo socialista, foi proibida da Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. Nos Estados Unidos, Chaplin também enfrentrou dificuldades para exibi-lo, devido às críticas que faz ao capitalismo e à desigualdade social.

Nos anos 1950, durante a chamada “caça às bruxas”, em que o senador Joseph McCarthy liderou um processo de julgamento de pessoas públicas sob a acusação de atividades anti-americanas (leia-se “comunismo”), este foi um dos filmes que levaram Chaplin a ser perseguido politicamente, o que culminou com seu exílio na Suíca.

Mesmo após o advento do som no cinema (a partir de 1927), Chaplin insistiu em fazer filmes sem falas, como neste caso. Apesar de mudo, Tempos Modernos utiliza o som de um modo chapliniano e burlesco, quando aparecem em cena aparelhos mecânicos de reprodução sonora, como videofones, fonógrafos e rádios, para reiterar o tema do filme sobre a tecnologia e a desumanização.

Contudo, vale ressaltar que Chaplin explorava as possibilidades estéticas do som compondo ele mesmo as trilhas de seus filmes, o que deu origem a um punhado de canções que entraram para a história, entre os quais Smile, tema da cena final de Tempos Modernos que você pode escutar no vídeo abaixo:



quarta-feira, 10 de março de 2010

All we need are the Beatles

Posso fazer uma pergunta para vocês, internautas deste mundo? Mas vou logo avisando, é uma questão complicadíssima, coisa que ninguém sabe. Então, posso? Qual é a banda mais famosa de todos os tempos? Se arriscam? Pois é, THE BEATLES!

Qual foi a alma deste mundo (na verdade, se tal alma existir, não é desse mundo) que já não ouviu falar dos quatro rapazes de Liverpool? Acho que ninguém desconhece o paradeiro desses meninos que arrancaram gritos frenéticos e desesperados de fãs do Brasil até a China.

John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr saíram da cidade de Liverpool, na Inglaterra, para ganhar fama, popularidade e notoriedade até hoje inéditas para uma banda musical, e se tornaram a banda de maior sucesso e influência do século XX.

Canções como "Love me do", "She loves you", "I want to hold your hand", "Help!", "Yesterday", "Yellow submarine", "Penny Lane", "All you need is love", "Hey Jude", "Let it be" e muitas, muitas, muitas outras que tanto fizeram a cabeça de crianças, adolescentes e adultos desde a década de 60 até os dias de hoje, fazem parte do enorme repertório de sucessos da banda inglesa.

Os principais compositores dos Beatles foram John Lennon e Paul McCartney que formaram uma das parcerias mais bem-sucedidas da música. Algum tempo depois, o guitarrista George Harrison também tentou compor e escreveu algumas das mais belas canções do grupo como "Something", "Here comes the sun" e "I need you". Apenas Ringo Starr, o baterista, não compôs.

Atualmente, só existem dois Beatles vivos: Paul McCartney e Ringo Starr. John Lennon foi assassinado, em 1980, quando voltava para seu apartamento em Nova Iorque, Estados Unidos, por Mark David Chapman, que tinha lhe pedido um autógrafo poucas horas antes de matar com cinco tiros o ex-beatle. Já George Harrison faleceu em 2001 depois de contrair câncer no pulmão.

Apesar dos Beatles não existirem mais, a beatlemania continua firme e forte passando de geração para geração porque quando a qualidade é excessiva, o artista torna-se imortal e isso, meus amigos, os Beatles são.

Agora fique com uma das melhores canções dos Beatles: "Help!".

terça-feira, 9 de março de 2010

"Voz de veludo" nigeriana

Depois de um certo tempo, algumas lembranças ficam guardadas na memória de cada um de nós. Normalmente, essas recordações são de momentos com a família, amigos, ídolos e heróis. Acho que todos são assim ou pelo menos, a maioria é. Bem, quero compartilhar uma boa lembrança que guardei de um certo momento da minha infância.

Poucas pessoas a conhecem, mas muitas já ouviram, pelo menos uma vez, uma de suas canções. Estou falando da cantora nigeriana Helen Folasade Adu, mais conhecida como Sade Adu. Ela tem uma música chamada "By Your Side" que além de ter uma letra muito bonita, o clipe é absolutamente maravilhoso, parece que você é transportado para um mundo de sonhos. O vídeo, da mencionada canção, você poderá ver e escutar abaixo.

Mas voltando a Sade Adu...

Desde 1980 na carreira de cantora, Sade cresceu ouvindo mestres do soul e do jazz como Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Donny Hathaway,Ray Charles, Nina Simone, Al Green, Aretha Franklin e Billie Holliday. Apesar dessas influências, não decidiu dedicar sua vida à música. Tanto que estudou desenho de moda no 'St Martin's Art College', em Londres onde foi criada. Porém, logo descobriu que o mundo da moda não lhe permitia um bom equilíbrio entre o gosto de criar e a necessidade de ganhar a vida.

Descobriu o seu talento musical quando aderiu a uma banda formada por alguns dos seus amigos de colégio. Rapidamente passou a ser a vocalista de uma banda de funk latino chamada Pride. Aos 24 anos Helen assumiu-se como elemento central de uma nova banda, Sade, formada por si e por elementos da então extinta Pride - Stuart Matthewman, Andrew Hale e Paul Spencer Denman.

Seu disco de estréia, Diamond Life, ocupou o topo das paradas inglesas em 1984. Em novembro de 1985, lançou seu segundo cd (Promise) que ficou mais de seis meses nas listas dos mais vendidos dos Estados Unidos e de vários outros países do mundo. Sucesso merecido não só pela deliciosa e exótica "voz de veludo" da cantora, mas também por ter sido ela própria a responsável por muitas das composições do disco.
Em 1986, ganhou seu primeiro Grammy como "artista revelação". Aos poucos, esmerou-se ainda mais na carreira de compositora e participou de discos como convidada, como os álbuns beneficentes do Greenpeace.

Pois é, conheci essa cantora incrível na minha infância e ela tornou-se parte das minhas boas lembranças. Espero que todos possam apreciar também a sua bela voz e lindas canções.