
Foi assim, fazendo graça, que Giacomo Puccini reclamou em carta ao seu libretista, Giuseppe Adami, por não ter nada para compor, enquanto aguardava que este lhe entregasse o libreto de sua derradeira ópera, Turandot, que permanecer inacabada. Puccini escreveu 12 óperas em 40 anos de criação e conquistou um saldo inalcançável para qualquer outro compositor lírico.

Pouco antes de completar 17 anos e aluno do Istituto Musicale di Lucca, Puccini assistiu à ópera Aida, de Verdi, pela primeira vez. A obra soou como uma revelação para o jovem estudante de música. Após terminar o curso em Lucca, ele se mudou para Milão para estudar com Ponchielli no conservatório da cidade. Ali estreou sua primeira ópera, Le Villi, depois escreveu Edgar e, quatro anos mais tarde, estreou Manon Lescaut. A partir de então, só conheceu o sucesso.
Puccini é por vezes acusado de se manter distante das mudanças estéticas de seu tempo, principalmente na comparação com Debussy, Janácek e Richard Strauss. Mas, quando analisamos sua escrita harmônica, sua rica e delicada orquestração, além de sua coerência dramática, vemos que Puccini era um compositor conectado com sua época.


Uma das coisas mais difíceis é escolher uma única ópera entre tantas de Puccini para escrever aqui. Portanto, depois de pensar muito, resolvi escrever sobre a magnífica poesia e tragédia feminina que é La Bohème. Puccini já havia lido Scènes de La Vie de Bohème, do novelista francês Henri Murger, que o havia inspirado a começar sua nova ópera, quando recebeu a notícia de que o também italiano Ruggiero Leoncavallo – autor da ópera I Pagliacci – trabalhava para musicar La Bohème. Puccini não se abalou. Afirmou que o público saberia qual seria a melhor das duas. Puccini não somente compôs a melhor ópera, como também conseguiu estreá-la um ano antes do concorrente.
A primeira apresentação de La Bohème aconteceu em Turim, em 1896, sob a regência de Arturo Toscanini, amigo de Puccini. A ópera não obteve grande êxito perante a crítica, embora te

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Ao longo do século 20, La Bohème ganhou força e interpretações diversas, como a adaptação para o cinema feita em 1993 pelo australiano Baz Luhrmann, diretor de filmes como Moulin Rouge. Aliás, os personagens e ambientações parisienses do século 19 do filme lembram bastante La Bohème. Nos dois casos, os protagonistas são poetas que sofrem com a morte, por tuberculose, de suas amadas – Mimi, de Puccini, e Satine, em Moulin Rouge. Moulin Rouge é praticamente uma adaptação contemporânea da história cantada em La Bohème. Segue, com exatidão, a receita de Puccini, que costumava dar finais trágicos às suas protagonistas femininas.
Agora, fique com um trecho da ópera La Bohème e viaje nesse mundo delicado, rico e altamente emocionante que é a ópera de Puccini.
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