domingo, 13 de junho de 2010

Penderecki: o mais experimental dos compositores poloneses

O Réquiem Polonês, obra-prima do compositor polonês Krzysztof Penderecki, sintetizou não só os sofrimentos da história do país, como também características de diversos períodos da música ocidental. A criação de Penderecki para o grande contingente orquestral e, principalmente, vocal garante uma carga emocional profunda e um domínio único de técnicas antigas e modernas.

A Polônia só se abriu para a música moderna a partir de 1956. Nesse período de efervescência das vanguardas na Europa, Penderecki se destacou como o compositor mais experimental de seu país. Diante do esgotamento e do hermetismo das novas pesquisas, mudou o rumo de sua música nos anos 1970.

Duas grandes fontes para o Réquiem Polonês foram a música do século 19 e a polifonia vocal da Renascença. O resultado são muitas camadas de vozes em contraponto, formando dissonâncias complexas. O Réquiem consiste na junção de peças compostas em períodos distintos. A Lacrimosa foi escrita em 1980 para a inauguração de um monumento aos estivadores mortos no protesto de Gdansk, dez anos antes. No ano seguinte, Penderecki escreveu em uma tarde o Agnus Dei, após a morte de Stefan Wyszynski, cardeal que teve papel crucial no diálogo entre a Igreja Católica e o Estado comunista polonês. Em 1984, mais trechos surgiriam de uma encomenda à celebração da luta polonesa contra o nazismo. No mesmo ano, o compositor decidiu juntar essas obras independentes em uma só, completando com novas partes. A versão definitiva viria em 1993, com a adição de mais um segmento. O finale, otimista, revela seu desejo de uma Polônia sem sofrimento no futuro.


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