O ano de 1947 representou uma mudança nos rumos da carreira de Dorival Caymmi. Depois de quase 20 anos morando no Rio de Janeiro, o compositor baiano iniciou uma série de composições com temas amorosos urbanos que viriam a exercer grande influência sobre os compositores da bossa nova na década seguinte. Marina foi o primeiro grande sucesso desse período, musicalmente influenciado pelo samba-canção.Não era um abandono das temáticas clássicas do mar ou da Bahia que tinham caracterizado sua produção. O que se inaugurava ali era uma nova e original vertente de sua obra. A Marina se seguiria outros samba-canção, como Nunca mais, Só Louco e Sábado em Copacabana.
Entre o fim da década de 1940 e o início da de 1950, o samba-canção estabelecia uma hegemonia como gênero romântico no Brasil, substituindo de vez a valsa e o foxtrote. Mas Caymmi sempre se caracterizou por um estilo pessoal que escapa a movimentos e escolas. Diferentemente da maioria dos compositores do período, escreveu letras singelas, lapidou versos fortes em sua simplicidade. O público gostou, e o cantor e compositor entrou com tudo no circuito das casas noturnas.
Marina também quebrou um tabu: foi lançada por mais de um artista no mesmo ano. Aliás, além do próprio autor, por mais três: a beleza da canção conquistou o “rei da voz”, Francisco Alves, Dick Farney e Nelson Gonçalves. Foi a versão de Farney a mais bem-sucedida. Na época, ele ainda vivia nos Estados Unidos, almejando entrar no mercado estadunidense, e era muito influenciado pelas interpretações de Bing Crosby e Frank Sinatra. Sua versão de Marina trocou o violão pelo piano e aproximou o samba-canção do jazz, virando um grande hit da noite carioca. Tanto ele como Caymmi dispensaram a instrumentação grandiosa que era quase obrigatória na época, sendo pioneiros em uma tendência que nos anos seguintes sé se reforçaria.-image002.jpg)
Luiz Tatit, em O Cancionista: Composição de Canções no Brasil, destaca um traço da obra de Caymmi: a presença de temas musicais simples que se repetem e sofrem pequenas variações ao longo de uma canção. Esse fraseado melódico principal é, em Marina, associado à letra na aliteração “Marina, morena, Marina”. Graças a essa engenhosa associação entre música e verso, a idéia poética é retomada ao longo de toda a música.
Exemplo do refinamento despojado de Dorival Caymmi é o trecho “Não pinte esse rosto que eu gosto/ Que eu gosto e que é só meu”. Aí está, sintetizada, a mensagem da música – a reprimenda por uma atitude contrária à vontade de quem canta, mas delicada, quase infantil, que deixa entrever o afeto que existe.
Uma curiosidade dessa música é que ela não foi inspirada por nenhuma mulher em especial. Tudo começou quando o então pequeno Dori Caymmi, filho do compositor, disse que estava “de mal” com o pai, depois de levar uma bronca. Essa expressão infantil ficou na cabeça de Dorival, que aproveitou também o tom ingênuo da fala na hora de compor o restante da letra.
Ouça, no vídeo abaixo, a canção Marina na voz de Dorival Caymmi:



Esse concerto, uma das obras do gênero mais executadas e conhecidas no mundo, também obteve o reconhecimento de outros compositores românticos. De extrema importância para Dvorák foram os elogios feitos por um inspirador, Brahms: “Por que eu não tinha conhecimento de que alguém poderia escrever um concerto para violoncelo como este? Se seu soubesse, teria escrito algo assim há muito tempo”.

Aos 15 anos, Robert Schumann começou a escrever um diário, hábito que manteve por toda a vida. A páginas tantas, ele anotou: “O que os homens não podem me dar, a música me dá. Todos os elevados sentimentos que eu não consigo traduzir, o piano os diz para mim”. A frase resume a relação do artista com sua obra. Para Schumann, a arte e vida se confundiam. Ele encarnou como nenhum outro compositor de seu tempo o ideal romântico. Além de compor, também escrevia. Era poeta. A literatura tinha para ele um peso comparável ao da filosofia para Wagner. Adolescente, leu todos os dramas de Schiller; e, aos 43, releu as novelas de Johann Paul Richter, dois dos mais populares autores românticos alemães. “Qualquer tentativa de compreender sua música passa pelo conhecimento da literatura”, garante o pesquisador estadunidense John Daverio, autor de uma biografia do compositor lançada em 1998.





La Bohème e Tosca antecederam Madama Butterfly, que narra o drama de uma jovem japonesa que se apaixona e casa com um oficial estadunidense. Ela muda de religião e de costumes, assumindo completamente a nova vida, e acaba renegada por seus parentes. Ao perceber que havia sido abandonada e traída pelo marido, entrega seu filho e se suicida. Somente Puccini seria capaz de transformar em música uma história como essa. Ele faz uso cuidadoso de melodias japonesas e estadunidenses, aliando-as com grande habilidade.

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