Há uns dias tive acesso a um álbum com regravações de músicas compostas por Renato Russo. Achei o trabalho um primor – o que não podia ser diferente, sabendo que foi gravado por Leila Pinheiro, paraense de voz doce (porém firme) que eu amo ouvir. Resolvi dedicar um breve post a essa cantora e musicista maravilhosa. Eis:
Leila Pinheiro nasceu em Belém, capital do Pará, filha de um gaitista (portanto, já em “berço musical”). Começou a estudar piano aos 10 anos, mas deixou as aulas teóricas e foi tomar lições práticas com um conterrâneo, o músico Guilherme Coutinho.
Na década de 80 Leila abandonou os estudos de medicina e partiu pra carreira artística. Conseguiu repercussão nacional quando ganhou o prêmio de cantora-revelação no Festival dos Festivas, da TV Globo, em 1985.
Convidada pelo então diretor artístico Roberto Menescal, Leila assinou contrato com a Polygram (atual Universal Music) e passou a gravar bossa nova, estilo pelo qual ficou marcada e amplamente conhecida, inclusive no exterior.
Apesar de ter sua imagem artística profundamente ligada à bossa, Leila é uma cantora de grande versatilidade e consegue transitar facilmente entre diversos estilos. Sua voz suave e afinadíssima encaixa-se com perfeição em canções que vão do pop rock ao samba, e sua interpretação nos dá a impressão de que ela “conta”, e não canta a música.
Durante seu percurso artístico Leila encontrou grandes compositores brasileiros, como Tom Jobim, Ivan Lins e Renato Russo. Regravou várias de suas músicas, e participou de inúmeros tributos a Tom e à bossa nova. Em 2010 lançou “Meu segredo mais sincero”, com sucessos de Legião Urbana e Renato Russo. O álbum é um deleite que traz de volta, em novas roupagens, clássicos como "O teatro dos vampiros", "Pais e filhos" e "Hoje". Trago pra vocês a faixa desse cd intitulada “Ainda é cedo” (uma de minhas favoritas :-) ). Espero que apreciem ;-)
Desde o fim do século 19, várias compositores ultrapassaram a fronteira da tonalidade – sistema tradicional de hierarquização de notas musicais em que umas predominam sobre outras no conjunto da melodia e da harmonia. Na década de 1920, aconteceu a radicalização: o austríaco Arnold Schoenberg desenvolveu um método de composição que dá o mesmo peso às 12 notas da escala ocidental (as sete que são padrão, além das cinco de tons intermediários – sustenido ou bemol). No lugar da harmonia tonal, cada obra seria elaborada a partir de uma série, uma ordenação predefinida dessas notas, que não podem se repetir antes que as outras 11 sejam tocadas. Começava aí o dodecafonismo serial, método que transformaria a música de vanguarda nas décadas seguintes. O austríaco Alban Berg (1885-1935) foi aluno de Schoenberg. Era também influenciado pela obra do conterrâneo Gustav Mahler e do romantismo tardio. Para o filósofo alemão Theodor Adorno, o grande mérito de Berg foi revelar que a linguagem musical de Schoenberg não representava um sectarismo, mas uma evolução a partir de Mahler, do francês Claude Debussy e outros compositores da geração anterior.
Berg desfrutava de certa popularidade nos anos anteriores à sua obra derradeira, o Concerto para Violino (1935). No entanto, o nazismo – que refutava a idéia universalizante da música serial – proibiria a execução de suas obras na Alemanha e na Áustria, levando-o a sérias complicações financeiras. Foi a morte precoce de Manon Gropius que levou Berg a compor a obra. A filha de Alma Mahler (ex-esposa de Gustav Mahler) com o arquiteto alemão Walter Gropius morrera repentinamente, e o compositor pediu permissão a Alma para dedicar o concerto “à memória de um anjo”. Em poucos meses, finalizou a composição.
Para Berg, o uso da série dodecafônica não deveria ser visto apenas como a aplicação de uma sucessão regular de intervalos entre as notas. Os rascunhos desse concerto mostram sua preferência por temas reconhecíveis, que sugerem contornos melódicos. Além disso, submeteu a série a implicações harmônicas e tonais, criando o que depois seria chamado de “centros tonais”: momentos em que a composição, serial, poderia se identificar com uma tonalidade.
Ao longo do Concerto para Violino, são feitas duas citações literais de uma canção popular austríaca. Já o último movimento abre com variações seriais sobre o coral Es ist genug (Basta), do alemão Johann Sebastian Bach, que trata da alma se desencarnando. O arranjo dessa seqüência, para três clarinetes e um clarinete-baixo, emula o órgão de uma igreja, completando um ciclo de vida alegre, sofrimento na doença e transfiguração após a morte. O gosto de Alban Berg pela referência e pela alusão é fator que diferencia sua obra da dos compatriotas Schoenberg e Anton Webern. Dos três participantes da chamada Segunda Escola Vienense, Berg foi o que melhor soube agregar o lirismo ao rigor da composição serial.
Ouça um trecho do Concerto para Violino de Alban Berg interpretado pela virtuosa violinista alemã Anne-Sophie Mutter que é uma das grandes intérpretes da obra:
O grande diferencial da obra do italiano Luciano Berio (1925-2003) em relação à de seus contemporâneos está na riqueza de sua música vocal. As Folk Songs juntam dois dos materiais preferidos de Berio: a música popular tradicional, reinterpretada por conceitos contemporâneos, e a voz feminina da meio-soprano (a imediatamente menos aguda que a soprano). No caso, uma em especial: a da estadunidense Cathy Berberian, sua primeira esposa. Berio fez parte da inovadora geração do pós-guerra na Europa. Nesse período, nomes como o francês Pierre Boulez, o alemão Karlheinz Stockhausen e o italiano Luigi Nono retomaram o método da Segunda Escola Vienense – formada por Alban Berg, Arnold Shoenberg e Anton Webern – e de outros autores de décadas anteriores. A renovação da metodologia sistemática da tríade austríaca levaria a música serial – a que se planeja rigidamente em séries de notas de igual importância – ao extremo da organização. Luciano Berio foi um entusiasta desse movimento; depois, como muitos, tomou outro caminho. Para ele, “havia a necessidade, para alguns, de rejeitar a história e, para outros, mais responsáveis, relê-la e de não mais aceitar nada às cegas”.
Foi assim que o italiano passou a privilegiar o pensamento do processo musical, não mais a forma ou o método. Nos anos 1950, atuou na linha de frente da música eletroacústica – a que se utiliza de meios eletrônicos – com Bruno Maderna no Estúdio de Fonologia Musical de Milão. A possibilidade de usar e manipular materiais pré-gravados ampliava o horizonte da música. Foi por isso que, em vez de se limitar aos experimentos de ponta, Berio abandonou o uso tradicional de seus materiais para adotar uma postura iconoclasta e de bricolagem. Fitas magnéticas, instrumentos tradicionais, melodias populares, séries dodecafônicas: tudo interessava a ele.
As Folk Songs, de 1964, são o mais célebre trabalho de Berio com música popular. Grande parte das 11 canções é de domínio público. No entanto, Ballo e La Donna Ideale, de 1946, são composições de Berio inspiradas na música popular italiana. Já Black Is the Color e I Wonder as I Wander são adaptações do folclorista estadunidense John Jacob Niles para temas tradicionais. O grande trabalho do compositor italiano foi rearranjar as canções de modo a extrair as “raízes expressivas” de cada uma delas. Berio mudou ritmos e andamentos, criou novas harmonizações e alterou relações entre letra e música tanto na sonoridade como na parte semântica. Com o arranjo para sete instrumentos (flauta, harpa, clarineta, viola, violoncelo e duas percussões), deu coesão a músicas de origens distintas, como da Armênia e do Azerbaijão.
A grande estrela das Folk Songs é a meio-soprano. Não à toa, Berio dedicou-as a Cathy Berberian, ainda que estivessem se divorciando. Cathy foi pioneira na exploração de novas possibilidades vocais e era dotada de expressividade ímpar. Luciano a chamava de “seu segundo instituto de fonologia”.
Dentre os preparativos para minha viagem a Portugal não poderiam faltar músicas portuguesas no mp3. Baixei uma "ruma" de cd's de Amália Rodrigues, Mariza, Madredeus, Mísia e, claro, minha mais recente descoberta: Cristina Branco.
Foi numa seleção musical que ganhei. Ouvi a linda "Por que me olhas assim?" umas mil vezes, tentando aliviar o coração, que sofria uma dor de cotovelo (será?) das grandes. Pois sim. A letra da música era tudo; a melodia, então, nem se fala. Dali pra frente busquei mais canções desta portuguesa de voz terna nascida em Almeirim.
Cristina diz que entrou para o mundo da música por acaso. O interesse nasceu quando seu avô lhe presenteou com um disco de Amália Rodrigues. Em um encontro entre amigos, arriscou cantar fado pela primeira vez, e desde então não parou mais.
Até os 24 anos, Cristina era uma completa desconhecida no universo musical. No início, fez algumas apresentações informais na Holanda, e a partir de um disco gravado por lá foi descoberta em sua terra natal.
O fado é a linha que guia o estilo de Branco, mas não é a identidade principal de sua música. Faz parte dela, é claro - Cristina regravou clássicos do gênero, como "Abandono" (gravado originalmente por Amália) -, mas seu estilo é uma mescla de diversas influências. E essa mescla resulta em uma "cara" bem peculiar, única. Cristina une passado e presente, criando uma música nova, mas que não deixa de beber na fonte da tradição.
De sua discografia, ressalto "Ulisses" (uma paquera entre Portugal e a região da Galícia, na Espanha) e "Kronos", seu álbum mais recente, que tem canções muito bem arranjadas, de uma delicadeza que é bem à la Cristina Branco.
Para vocês, Cristina interpretando "Redondo vocábulo":
O acaso sempre me faz descobrir pessoas, lugares e artistas maravilhosos. Quando menos espero, me deparo com verdadeiras pedras preciosas, que não descobriria em situações além das imprevisíveis.
Dia desses, numa insólita noite de sábado, eu zapeava a TV em busca de algo interessante pra ver. Encontrei algo bom de se ver e ouvir, uma voz daquelas raras, que a gente encontra poucas vezes na vida. E pra mim, o grande trunfo de um cantor brilhante está em sua voz única, que não é semelhante a nenhuma outra já ouvida. Assim fiquei extasiada diante de um clip de Concha Buika - corri pra net pra pesquisar e descobrir algo sobre a dona de voz tão singular.
Concha Buika nasceu em Palma de Malorca, na Espanha, em 1972. Sua família é originária de Guiné Equatorial, e desde pequena Buika escutava jazz, um dos estilos favoritos de sua mãe. Outras referências musicais que fizeram parte de sua infância foram as coplas (espécies de poemas musicados típicos da Espanha) e o flamenco, ambas integrantes da identidade nacional espanhola.
Quando cresceu, Concha partiu para Las Vegas, para cantar em cassinos e trabalhar em shows de nomes como Tina Turner e Rachelle Ferrell. Depois resolveu instalar-se em Madri, onde começou a desenvolver sua carreira solo.
Já com seu segundo disco, "Mi ninã Lola", Buika recebeu reconhecimento do público e da crítica, através dos prêmios de melhor produção musical e melhor álbum de música espanhola, recebidos em seu país, e do prêmio da crítica fonográfica alemã. O sucesso veio para ficar quando lançou em 2008 o álbum "La niña de fuego", que misturou jazz, soul e coplas com flamenco. As canções de amor (e sobretudo de desamor) cantadas por Concha são tocantes, passionais, e sua voz muito particular, meio rouca, faz de cada uma delas temas inesquecíveis para a memória auditiva de qualquer pessoa.
"La niña de fuego" concorreu ao Grammy Latino de melhor álbum do ano e melhor produção do ano. Não levou nenhuma das duas estatuetas, mas projetou o nome de Concha Buika além do continente europeu. De lá pra cá, Buika lançou outro álbum ("El ultimo trago") e fez duetos com outros nomes de sucesso, como Nelly Furtado e Mariza (com quem gravou "Pequenas verdades"; linda canção).
No site oficial da cantora, o texto de apresentação diz que Buika não canta coplas, mas vive os poemas, penetra-os, dá-lhes vida. Pura verdade.
Veja o clip de "No habrá nadie en el mundo", uma das melhores faixas do álbum "Niña de fuego":
Durante o auge da beatlemania, George Harrison ficou conhecido como o "beatle tímido" devido a sua maneira introspectiva e tendência a falar pouco durante as entrevistas. Apesar da imagem de "beatle tranquilo", a maioria dos amigos, como Eric Idle, membro do Monty Python, asseguram que na intimidade ele era muito falante, contradizendo a imagem que a imprensa tinha a seu respeito.
A partir de 1965, George começou a contribuir frequentemente com composições para os Beatles. No álbum Help!, ele lançou duas composições próprias: "I Need You" e "You Like Me Too Much". No álbum Revolver, de 1966, George começou a compor cada vez mais e com mais qualidade, chegando a competir no mesmo nível com as composições de Lennon/McCartney. Neste álbum ele conseguiu lançar pela primeira vez três canções de sua autoria. Mas só em 1968 uma composição sua atingiria grande sucesso, a canção While my Guitar Gently Weeps, incluída no álbum duplo The Beatles (Álbum Branco).
Something foi a primeira canção de George a ser lado A de um compacto dos Beatles, "Something/Come Together". Ela é considerada sua mais bela canção e foi regravada por Elvis Presley e Frank Sinatra. Para Frank Sinatra, esta era "a melhor canção de amor dos últimos 50 anos" entretanto, ironicamente, Sinatra pensava que sua canção favorita tinha sido escrita por Lennon/McCartney. Porém, posteriormente na apresentação "Concert for the Americas", Sinatra antes de fazer sua versão de "Something", a credita como graciosamente escrita por Harrison.
Após a separação dos Beatles, em 1970, ofuscado por anos por John Lennon e Paul McCartney, George Harrison lançou grande parte do material que havia acumulado e iniciou sua carreira solo. O primeiro álbum de George foi um sucesso de crítica e de público. All Things Must Pass, de 1970, é considerado por muitos como o melhor disco de um ex-beatle e um dos melhores discos da história. O álbum atingiu o primeiro posto das paradas de sucesso britânicas e estadunidenses, incluía sucessos como as músicas My Sweet Lord, Isn't It a Pity e What is Life. Seu próximo álbum se chamou Living in a Material World (1973) e fez sucesso com a canção "Give me Love (Give me peace on Earth)", segunda a atingir o primeiro lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos, depois de "My Sweet Lord".
Após o assassinato de John Lennon, em 1980, escreveu a canção "All those years ago" em sua homenagem e chamou Paul McCartney, Linda McCartney e Ringo Starr para participarem da gravação. A canção foi lançada no álbum de 1981, Somewhere in England e se tornou um sucesso, atingindo o segundo lugar nos Estados Unidos.
Depois da turnê, George desapareceu da mídia e começou sua batalha contra o câncer de pulmão. O primeiro sinal de câncer de George apareceu na década de 90. Ele enfrentou várias cirurgias para eliminá-lo. Apesar dos tratamentos agressivos, logo se descobriu que era terminal, decidindo de imediato passar seus últimos dias em família e trabalhar em alguns projetos para posteriormente serem terminados por sua viúva e filho.
George faleceu dia 29 de novembro de 2001 em Los Angeles aos 58 anos de idade. Seu corpo foi cremado e alguns afirmam que suas cinzas jogadas no Rio Ganges embora a família não tenha oficialmente confirmado. Sua morte foi devido ao câncer que havia atingido ao cérebro. Após a sua morte, sua família emitiu um comunicado: "Abandonou este mundo como viveu: consciente de Deus, sem medo da morte e em paz, rodeado de familiares e amigos". Harrison costumava dizer: "Tudo pode esperar, menos a busca de Deus". Exatamente um ano após sua morte, Olívia Harrison, sua mulher, e Eric Clapton, seu amigo, organizaram o Concert for George, no Royal Albert Hall, em Londres. O concerto contou com a presença do filho de George, Dhani, além de grandes amigos como Ravi Shankar, Tom Petty, Jeff Lynne, Billy Preston, Jim Capaldi, Paul McCartney, Ringo Starr, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Ray Cooper, integrantes do Monty Python e Tom Hanks.
George Harrison escreveu algumas das canções que eu mais gosto, enquanto esteve nos Beatles e também em sua carreira solo. Mas acho que "While My Guitar Gently Weeps" e "Something" são as minhas preferidas. Fiquemos com "While My Guitar Gently Weeps" no vídeo abaixo:
Em 1979, o Livro Guinness dos Recordes declarou-o como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos. Teve 29 composições de sua autoria no primeiro lugar das paradas de sucesso estadunidense. Vinte das quais junto com os Beatles (que compôs junto com John Lennon) e o restante em sua carreira solo ou com seu grupo Wings. É o baixista mais famoso da história do rock, embora também toque outros instrumentos, como bateria, piano, guitarra, teclado, etc.
Paul McCartney é conhecido mundialmente como o baixista dos Beatles, uma das mais famosas bandas de todos os tempos. Junto com John Lennon, McCartney formou uma das mais influentes e bem sucedidas parcerias musicais de todos os tempos, "escrevendo as canções mais populares da história do rock". Após a dissolução dos Beatles em 1970, McCartney lançou-se em uma carreira solo de sucessos, formou uma banda com sua primeira esposa Linda McCartney, os Wings. Ele também trabalhou com música clássica, eletrônica e trilhas sonoras.
Durante os Beatles, McCartney e John Lennon escreveram juntos a maior parte dos sucessos da banda. McCartney era o que mais escrevia canções românticas. São de sua autoria canções como "Yesterday", "And I Love Her", "Michelle" e "Here There and Everywhere". Embora Paul sempre fosse acusado de só escrever baladas, ele também escreveu várias canções com um estilo mais pesado como "Back In The USSR", "Helter Skelter" e "The End". A canção "Yesterday" é a mais regravada por outros artistas em todos os tempos.
Em seu primeiro álbum após o fim do Beatles, McCartney, Paul escreveu todas as canções, gravou todos os instrumentos e produziu o disco em um estúdio particular de sua casa, com Linda fazendo os vocais de apoio. O disco foi considerado caseiro demais para os críticos, mas mesmo assim McCartney conseguiu fazer sucesso com a canção "Maybe I'm Amazed" e "Every Night".
Depois do disco solo Ram, ainda em 1971, Paul voltaria a formar uma nova banda, os Wings. Sua nova banda teve durante os anos de sua existência como integrantes fixos Paul McCartney, Denny Laine (ex-Moddy Blues) na guitarra e Linda McCartney nos teclados. Outros integrantes não eram fixos como os três. Os Wings lançaram seu primeiro trabalho em 1972, Wild Life. No mesmo ano, os Wings apresentaram-se pela primeira vez ao vivo em algumas universidades inglesas. Atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso, com este álbum e com a canção "My Love". No mesmo ano, a banda lançou a canção "Live And Let Die", parte da trilha sonora do filme de 007 - James Bond: Viva e Deixe Morrer.
O álbum seguinte foi o álbum de maior sucesso da banda, Band on the Run, eleito o disco do ano, apresentando hits como Jet e a faixa-título. Em 1974, os Wings lançaram o álbum Venus and Mars e no ano seguinte o álbum Wings at the Speed of Sound com a canção "Silly Love Songs", em resposta a provocação de John Lennon em "How dou you sleep?" do álbum Imagine.
Durante esses últimos anos, McCartney realizou espetáculos que entraram para a história. Apresentou-se duas vezes na partida final do Super Bowl (em 2002 e 2005), finalizou o show em comemoração ao Jubileu da Rainha da Inglaterra Party at the Palace, participou de uma homenagem feita ao ex-beatle George Harrison no Royal Albert Hall em Londres (Concert for George em 2002), fez o primeiro show da história da canção no Coliseu de Roma, apresentou-se pela primeira vez em Moscou (em 2003), tocou no famoso festival inglês Glastonbury Festival (em junho de 2004), tocou no Rock in Rio Lisboa (em 2004) e abriu e finalizou o show do Live8 (em julho de 2005). No ano de 2005, McCartney lançou o disco Chaos and Creation in the Backyard, que foi indicado ao Grammy de melhor álbum.
Paul sempre foi considerado o mais talentoso dos Beatles. E depois de George Harrison, é o meu beatle favorito. Agora, veja, no vídeo abaixo, a canção "My Love", composta por ele em homenagem à sua ex-esposa, Linda McCartney:
Dentre as suas maiores composições estão "Help!", "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love" enquanto fazia parte dos Beatles e "Imagine", "Instant Karma!", "Happy Xmas (War Is Over)", "Woman", "(Just Like) Starting Over" e "Watching the Wheels" em carreira solo.
Em 2002, entrou em oitavo lugar em uma pesquisa feita pela BBC como os 100 mais importantes britânicos de todos os tempos. E recentemente, em 2008, foi considerado pela revista Rolling Stone, o 5º melhor cantor de todos os tempos. Ainda hoje, seu nome é sinônimo de esperança e coragem para milhares de fãs. Este é John Lennon. Na primeira fase dos Beatles, John era responsável pela maioria das composições, mesmo elas sendo assinadas como dupla Lennon/McCartney. Era evidente sua liderança e maior produtividade musical na banda. John Lennon também começou a desenvolver-se como letrista e compôs algumas canções mais intimistas influenciadas por Bob Dylan como "I'm a loser" e "You've got to hide your love away". Durante a segunda fase dos Beatles, John revelou-se cada vez mais um grande letrista. Entre suas composições estão "All you need is love", "Strawberry Fields Forever", "A day in the life" e "Across the Universe" entre outras. Em 1966, John, na época casado com Cynthia Powell, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Ela foi e ainda é taxada por muitos fãs dos Beatles como uma das principais causas da separação do grupo. Também é tida como uma aproveitadora e manipuladora da carreira solo de John, uma mulher sem talento musical que se fez presente em muitos álbuns solos do cantor. Por outro lado, seus defensores alegam que Yoko é atacada por não fazer parte de uma padrão de beleza comum. Alegam que Yoko estimulou John a ter uma atitude mais preocupada com problemas sociais (guerra, violência, política, etc.) e a viver mais intensamente sua vida privada com o filho e a família. Seja como for, Yoko é uma figura polêmica entre os fãs do cantor e músico, mas que viveu ao seu lado, recebendo inúmeras declarações de amor de John até sua morte. Junto a Yoko Ono, John começou sua carreira solo mesmo ainda fazendo parte dos Beatles, mas sem muito sucesso. Ele lançou o primeiro álbum, Two Virgins, em novembro de 1968. Two Virgins era um álbum experimental e que trouxe gravações caseiras. A capa do álbum causou polêmica, pois os dois apareceram nus. Um mês antes do lançamento do álbum, eles foram presos pela polícia por porte de drogas.
Em 1971, John atinge o sucesso com o álbum Imagine. A faixa-título faz muito sucesso e torna-se um hino da paz no mundo inteiro. John viria a dizer, pouco antes de sua morte, que parte da letra de "Imagine" era de Yoko, apesar de ele não haver creditado a parceria à esposa. O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso estadunidense e inglesa.
Após cinco anos de reclusão, em 1980, John Lennon voltou a gravar um novo álbum, Double Fantasy. Durante este período de reclusão, John gravou alguma coisa em sua casa e compôs algumas canções. O álbum foi dividido entre canções de Lennon e Yoko. Em "(Just Like)Starting Over", John faz referências à sua volta. "Starting Over" e "Woman" atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso. Ainda fizeram sucesso "Watching the Wheels" e "Beautiful Boy", sucesso que foi impulsionado pela morte de John Lennon. Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou dando 5 tiros em John Lennon com revólver calibre 38. A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, "O Apanhador no Campo de Centeio" de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80 % de seu sangue, aos quarenta anos de idade. Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao apartamento, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.
O assassino foi preso, pois permaneceu no local, esperando os policiais chegarem. Ao entrar na viatura, pediu desculpas aos policiais pelo "transtorno que havia causado". Em seu julgamento alegou ter lido em "O apanhador no Campo de Centeio" uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Acabou sendo condenado à prisão perpétua e até hoje é mantido numa cela separada de outros presos, devido às ameaças de morte que recebeu. Após a morte de John, foi criado um memorial chamado Strawberry Fields Forever no Central Park. Alguns discos póstumos foram lançados, como Milk and Honey, com sobras de canções do disco Double Fantasy. Várias coletâneas e um disco chamado Accoustic foram lançados em 2005. Yoko Ono administra tudo o que se refere a John Lennon, suas canções em carreira solo, seus vídeos e filmes.
Philip Norman escreveu a biografia: "John Lennon - A Vida", onde revela fatos polêmicos sobre o cantor, como a vontade de ter tido relações sexuais com sua mãe ou um possível caso amoroso com seu empresário, Brian Epstein. O livro mostra retrata um sujeito inseguro, às vezes violento e venenoso, além de criativo, talentoso, bondoso e corajoso.
No documentário Imagine, onde alguns familiares e amigos falam como era conviver com o cantor, Yoko Ono diz que o ex-beatle era como “um velho soldado que lutava ao meu lado”. Odiada por muitos que a consideram o pivô da separação da maior banda de todos os tempos e extremamente amada por John Lennon que declarou em uma de suas músicas que não acreditava em religião, no Bob Dylan, na política, nos homens, mas acreditava nele e na Yoko. Fiquem com a belíssima canção “Woman”, escrita por John Lennon em homenagem à sua musa, Yoko Ono.
“Acabamos de ouvir Scheherazade, obra de Rimsky, orquestrada por Korsakov.” (ri de mais quando li isso). Foi assim que um locutor estadunidense apresentou ao público, há poucos anos, uma das peças orquestrais mais conhecidas do repertório clássico. Pela confusão, ele não era do ramo. Porque Nikolai Rimsky-Korsakov está longe de ser um desconhecido na música erudita. Ele foi um dos grandes compositores russos do século 19, um cultuado mestre da orquestração que escreveu um tratado sobre o tema, leitura obrigatória até hoje nas melhores escolas de música. Professor de Igor Stravinsky, compôs 11 obras sinfônicas e 15 óperas que estabeleceram a linguagem russa na música clássica ocidental. Korsakov é unanimidade entre críticos e pesquisadores, que aplaudem sua imaginativa escrita orquestral, capaz de capturar espanholismos, orientalismos e demais sons exóticos que davam as caras no final do século 19. Se Tchaikovsky foi o responsável pela internacionalização da música russa, Rimsky-Korsakov foi fundamental na solidificação e renovação dessa escola. Filho de aristocratas, iniciou seus estudos de piano aos 6 anos e, aos 9, já apresentava suas primeiras peças. Apesar de ter demonstrado grande aptidão pela música, ele acabou ingressando no Colégio Naval Imperial russo e, depois, na Marinha russa, mas nunca perdeu o desejo de aprofundar seus estudos musicais. Aos 17 anos, procurou o compositor e grande entusiasta do movimento nacionalista, Mily Balakirev, fundador do Grupo dos Cinco (já mencionado em postagens anteriores), do qual também fizeram parte César Cui, Modest Mussorgsky e Alexandre Borodin. Dez anos mais tarde, Korsakov era nomeado professor de composição e orquestração do Conservatório de São Petersburgo. Sua vocação para o ensino da composição era natural. Por anos, ele foi responsável pela revisão de obras de seus colegas compositores. Seu conhecimento de orquestração era tão rico que até hoje, nessa arte, ele é comparado a Berlioz e Ravel. Durante seus mais de 30 anos de academicismo, foi professor de personalidades como Glazunov, Prokofiev, Stravinsky e Respighi. Como regente, levou sua música e a de seus conterrâneos para toda a Europa.
Rimsky-Korsakov acabou imortalizado por suas criações sinfônicas. Scheherazade, Capricho Espanhol e A Grande Páscoa Russa, são obras em que podemos perceber o exotismo de suas harmonias, a inventividade de suas melodias e, principalmente, a delicadeza, o detalhismo e a originalidade de sua orquestração.
Scheherazade
Depois de ter sido traído por uma mulher, o sultão Sharyar adquiriu o hábito de vingar-se de todas as outras, ao casar-se com uma a cada noite e executá-la na manhã seguinte. Isso até conhecer Scheherazade, que tramou contar uma história envolvente ao sultão a cada noite, instigando sua curiosidade para que a seqüência fosse revelada no dia seguinte, o que lhe permitiu viver. Após três filhos e mil e uma noites, Scheherazade foi salva por sua astúcia e reconhecida pelo sultão.
Influenciado pela trama do Livro das Mil e Uma Noites, Rimsky-Korsakov deixa que sua suíte sinfônica Scheherazade conte a história. O sultão é representado por uma pesada melodia de metais, enquanto a protagonista, Scheherazade, se traduz em um sedutor violino solo. Nos quatro movimentos da obra, as combinações entre madeiras, metais, cordas e percussão mesclam elementos orientais às orquestrações brilhantes e sensoriais de Rimsky-Korsakov, que inovou ao associar cores às tonalidades musicais. As imagens do marujo Simbad, do príncipe Kalender e da festa em Bagdá fazem de Scheherazade uma obra visual.
Vamos aos movimentos de Scheherazade: Primeiro Movimento: O mar e o navio de Simbad A música começa com Korsakov apresentando o sultão e Scheherazade. Ele, nos metais em uníssono fortíssimo; ela, um delicado violino solo pontuado pela harpa, enunciando a melodia oriental que perpassará toda a suíte.
Segundo Movimento: A história do Príncipe Kalender Abre com uma citação do tema de Scheherazade e depois apresenta um novo motivo, mais ritmado e divertido.
Terceiro Movimento: O jovem Príncipe e a jovem Princesa Quem sabe o mais belo movimento da suíte, apresenta duas novas melodias de sabor oriental. Primeiro, o tema do príncipe nos violinos, encadeado com o da princesa (este mais vivo, com ritmo marcado pela percussão e pelo trompete).
Quarto Movimento: A festa em Bagdá; o mar; o naufrágio dos barcos nas rochas Korsakov reforça a percussão, transformando o tema do sultão para retratar o mar, o vento e a tempestade, marcada por um golpe no tam-tam. Scheherazade vence a disputa com o sultão, e a obra termina com o tema da heroína, no extremo agudo dos violinos.
Em suas memórias, Korsakov se lembra do primeiro ensaio desta peça, em 1887: “Quando acabou a primeira parte, a orquestra levantou-se e me aplaudiu (...) Emocionado, pedi aos professores que aceitassem que dedicasse a obra a eles. O Capricho era fácil de tocar e de brilhante efeito”. Modesto, continua dizendo que “a opinião da crítica de que o Capricho é uma peça excelentemente orquestrada não tem razão de ser. O Capricho é uma composição de grande efeito orquestral; a variedade de seus matizes, a feliz escolha das melodias, as diminutas cadencias virtuosísticas dos solos dos principais instrumentos, o ritmo da percussão – tudo isso constitui a essência da composição, e não apenas sua roupagem orquestral”.
Estruturalmente, a peça se divide em cinco movimentos interligados:
1 Alvorada: atmosfera de dança coletiva, que lembra um pouco o início da Carmen de Georges Bizet.
2 Variações: belo canto lírico enunciado pelas trompas, que depois passeia por toda a orquestra.
3 Alvorada: o mesmo tema do primeiro movimento, só que orquestrado de modo diferente.
4 Cena e Canto Cigano: a parte mais “espanhola” da obra, com direito a rufar de tambores quando o tema é enunciado em trompetes e trombas.
5 Fandango Asturiano: aqui entram as típicas castanholas, num finale que inclui até o retorno ao tema da Alvorada.
A abertura retrabalha diversos temas de cantos religiosos do Ofício da Páscoa. Korsakov, porém, se fixou mais no “lado lendário e pagão da festa”, como deixa claro em sua autobiografia: “A lenta introdução à Grande Páscoa Russa, sobre o tema ‘Deus ressuscitará’, evocava, para mim, a profecia de Isaías sobre a ressurreição de Cristo. As cores sombrias do andante lúgubre parecem representar o Santo Sepulcro iluminando-se na ressurreição. O começo do allegro harmoniza-se com a alegria da cerimônia ortodoxa. O tema ‘Cristo ressuscitou’, constituindo de certo modo o tema secundário da obra, reaparece entre o apelo dos trompetes e o som dos sinos, formando uma coda solene”.
Em 1888, os restos mortais de Beethoven e Schubert, que estavam no cemitério de Währing, em Viena, foram exumados e transferidos para o cemitério central da cidade, batizado de “panteão dos artistas”. Um senhor de 64 anos, nariz adunco e já encurvado, acompanhava os preparativos. Aproveitando uma distração dos médicos, ele pegou o crânio de Schubert e ajoelhou-se num gesto de veneração. Em seguida, atirou-se na cova de Beethoven e de lá saiu com o crânio de seu ídolo. Perdeu até uma lente do pincenê na manobra. Refeitos da surpresa, os patologistas expulsaram aos safanões o invasor.
Noutra ocasião, houve um incêndio próximo ao apartamento onde esse mesmo senhor de jeito distraído, sempre metido em calças pula-brejo, morava. E ele pediu autorização dos bombeiros para ver de perto as dezenas de cadáveres carbonizados. E, quando os restos mortais do imperador Maximiliano I foram trasladados do México para Viena, o velhinho implorou para examinar com as próprias mãos o crânio e os ossos do monarca. Ele também mantinha em casa o crânio de um primo que se suicidou com um tiro na cabeça.
Tais episódios protagonizados pelo compositor Anton Bruckner compõem uma figura desequilibrada. Ele era de fato esquisitão. Mas não se deixe enganar. Bruckner foi um formidável compositor. Richard Wagner o considerava o único herdeiro digno de Beethoven.
Desde Bach, a música não encontrava outro compositor tão religiosamente devotado quanto o austríaco Anton Bruckner. Filho de professores, teve seu destino, que parecia certo na mesma direção dos pais, mudado em função de sua paixão pelo órgão. Sua educação no convento de St. Florian fez dele um incondicional devoto do catolicismo e um apaixonado pelo estilo barroco.
Além da profunda religiosidade, Bruckner desenvolveu uma obsessão pela numerologia e uma mórbida atração por cadáveres, principalmente depois de ter o crânio de Beethoven em suas mãos. Era, no entanto, uma pessoa de modos simples. Interiorano, sentia-se deslocado na sofisticada sociedade vienense. Não teve muitas chances em vida e não possuía o espírito da autopromoção tão aguçado quanto o de outros compositores. Ele se alimentava de sua fé. Deixou uma obra de profunda espiritualidade, que abriu novos caminhos para a sinfonia na passagem do século 19 para o 20.
Sua paixão por Beethoven e sua simpatia por Wagner deixavam pouco espaço para que suas obras fossem executadas, principalmente em uma Viena dominada pela estética de Brahms. Para ter sua música aceita pelo grande público, revisou e deixou que outros revisassem inúmeras vezes suas sinfonias. Tanto que, atualmente, é uma intricada tarefa decidir qual é a versão mais autêntica.
Um bom exemplo é a sua Sinfonia N.7, composta entre setembro de 1881 e agosto de 1883. Ela passou por muitas revisões e, como foram realizadas sobre o próprio original, é extremamente difícil chegarmos ao que poderia ser versão de 1883. Trata-se de uma das obras mais maduras do mestre austríaco. Nela podemos sentir a sonoridade grandiosa do órgão – seu instrumento, que tantas vezes transportou para a orquestra -, seus sonhos e sua religiosidade. Religiosidade esta usada como fundamento para duas peças: a Ave Maria para coro a cappella, segunda de três escritas por Bruckner, e o Virga Jesse Floruit, um de seus vários motetos em latim.
Dentre as composições de Bruckner, escolhemos para analisar a grandiosa Sinfonia N.7. Como ocorreu com grande parte de sua obra, o austríaco, insatisfeito e incomodado com a crítica, reescreveu a Sinfonia N.7 em Mi Maior. A obra trouxe reconhecimento ao músico como grande sinfonista e abriu o caminho do sucesso. Bruckner, que estava acostumado a ver os ouvintes deixar os auditórios de forma fria depois das estréias de suas sinfonias, foi aplaudido por 15 minutos após o début da Sinfonia N.7 diante do público conservador de Leipzig, na Alemanha.
Mesmo depois do sucesso, também em Munique e em Viena, a composição não deixou de ser criticada por aqueles que ou não compreendiam a modernidade ou fingiam não entender apenas para rivalizar e desestabilizar Bruckner. Como fizera um de seus desafetos, o crítico tcheco Eduard Hanslick: “Nela [Sinfonia N.7] ouvi apenas uma escuridão interminável”. Ataques como esse levaram o compositor a revisar passagens da sinfonia, principalmente o belo e longo adagio, segundo dos quatro movimentos, dedicado à memória do compositor alemão Richard Wagner. Da original, de 1883, para a segunda versão, feita por Bruckner dois anos depois, algumas alterações foram feitas, como a inclusão de tímpanos, pratos e triângulo. Diante das duas versões, a obra vem ganhando diferentes interpretações de andamento e dinâmica, dependendo da regência. Uma passagem famosa é a batida dos pratos no clímax do adagio, que alguns maestros incluem, outros não. O processo de reformulação das obras mostra como Bruckner era um perfeccionista em busca da composição ideal, o que, em parte, pode ser atribuído a sua solidão. O compositor não chegou a ter uma relação afetiva e sentimental, e há quem acredite que ele tivesse problemas mentais.
Bruckner começou a revolucionar seu trabalho depois de ter assistido à estréia da ópera Tannhäuser, de Wagner, em 1863. Muitos chegaram a classificar Bruckner como o “sinfonista de Bayreuth”, em referência à casa de ópera imortalizada pelo alemão. Na realidade, pode-se dizer que as grandes influências wagnerianas em Bruckner se devem à arte da orquestração, já que este ignorava os aspectos filosóficos e eróticos impregnados nas óperas do sentimental, mundano e profano Wagner.
Após o sucesso da Sinfonia N.7, a oitava obra sinfônica de Bruckner, finalizada em 1885, foi igualmente aclamada pelos críticos, firmando-o como um mestre do gênero instrumental para orquestras. Onze anos depois, o compositor morreu em Viena, deixando sua Sinfonia N.9 inacabada, com apenas três movimentos – considerados por muitos como o auge de sua capacidade criativa -, sem o finale.
Perceba, no vídeo abaixo, toda a devoção e grandiosidade dessa alma musical totalmente voltada à palavra de Deus em um trecho da Sinfonia N.7:
Do surgimento do primeiro concerto para o instrumento que Johannes Brahms dominava para a estréia do Concerto para Piano N.2 em Si Bemol Maior Opus 83, passaram-se 22 anos. Tempo suficiente e fundamental para o compositor amadurecer e modificar sua maneira de pensar na relação entre piano e orquestra para esse tipo de obra instrumental.
Em 1854, época do surgimento de sua Sonata para Dois Pianos, Brahms ocupava-se somente de obras para esse instrumento, sem ter experiência com peças para orquestra. Mas já dava sinais de que idéias de composições que explorassem sonoridades mais amplas começavam a se desenvolver em sua mente. “Na realidade, nem mesmo dois pianos me bastariam”, disse Brahms, referindo-se à necessidade de ir além das limitações que seu piano encerrava.
Quando concebeu o primeiro concerto, Brahms já pensara em diminuir o abismo entre um tema solo (o do piano) e a expansão sinfônica. De fato, essa redução ocorre, mas é somente com o Concerto para Piano N.2 que ele atinge tal equilíbrio de forma perfeita. Pode-se dizer que a dosagem é extremamente bem-sucedida, pois o pianista não se apequena diante da gigantesca sombra da orquestra do período maduro do romantismo. Pelo contrário, até então Brahms nunca havia conseguido executar de forma tão sutil a complexa missão de separar com clareza as partes do solo e as da orquestra.
Mesmo com domínio completo da técnica, o compositor da cidade de Hamburgo, Alemanha, conseguiu com essa obra demonstrar outra virtude: não fazer apenas um concerto de virtuose para o piano, seguindo os cânones formais disseminados no século 19. Seu objetivo não era fazer com que o pianista sobressaísse à orquestra nem que esta dominasse unilateralmente os quatro movimentos. O que se buscava era que os dois fossem subordinados à idéia da composição e respeitassem de forma natural as intervenções um do outro. Brahms aproveitou os exemplos deixados pelo austríaco Mozart e o compatriota Beethoven para executar essa sinergia de forma singular. Como disse o crítico musical alemão Carl Dahlhaus: “Brahms não se submetia à tradição, ele a repensava”. Com cerca de uma hora de duração, o Concerto para Piano N.2 tem quatro movimentos. No primeiro, destaque para a combinação de força e respeito entre o solo e a orquestra. O segundo é conhecido pela extrema dificuldade exigida do piano em algumas passagens. Para se ter uma idéia, o pianista brasileiro Nelson Freire, um dos maiores do mundo, se revelou aflito diante da famosa seqüência de oitavas a ser executada com as duas mãos – as famosas “oitavas de Brahms”. No terceiro movimento, grande parte da expressividade sentimental fica a cargo dos violoncelos. Por fim, o último é marcado pelo belo diálogo entre piano e cordas rumo à apoteose.
O Concerto para Piano N.2 tornou-se modelo para pianistas. Reconhecido pelas obras sinfônicas, anos depois Brahms ainda fez um concerto para violino, violoncelo e orquestra, eternizando-se como um compositor completo também no gênero instrumental com solistas.
No dia do seu aniversário, na noite de 11 de dezembro de 1936, seis meses antes de morrer, Noel de Medeiros Rosa fez o último pedido à dançarina de cabaré Juraci Correia de Araújo – a Ceci -, a grande paixão da sua vida. “Gostaria que passássemos a noite juntos”, disse, apoiado nas garrafas de cerveja sobre uma das mesas do bar Taberna da Glória, no Rio de Janeiro.
A lembrança daquele episódio e a memória do amor do poeta da Vila Isabel pela dançarina seriam eternizadas naquela que é a obra-prima entre as 230 composições deixadas por Noel Rosa nos seus curtos e intensos 26 anos e meio de vida: Último Desejo. Música de melodia simples, mas requintada, e com uma letra notadamente autobiográfica, assim como grande parte dos sambas de Noel, foi um de seus maiores sucessos.
A canção em que Noel cria “música exata para sua própria poesia”, segundo os críticos Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, ficou conhecida na voz de Aracy de Almeida, a grande intérprete do compositor. Foi ela quem primeiro gravou Último Desejo, dois meses depois da morte do Poeta da Vila. Contudo, uma versão foi regravada por Marília Batista, outra cantora assídua dos sambas de Noel. Essa versão continha uma melodia diferente e uma inserção de piano arranjada pelo compositor paulista Osvaldo Gogliano, o Vadico, parceiro de Noel. Uma longa polêmica se estabeleceu entre as cantoras pelo veredicto de quem seria a dona da melhor interpretação. Nunca houve consenso pela crítica.
Os amores e o Rio de Janeiro foram algumas das maiores inspirações para os sambas de Noel, que nunca deixou de lado a crítica social. Cantou muitas vezes a Vila Isabel, bairro onde nasceu e de onde nunca saiu. Descreveu as gírias, a malandragem carioca, os males da modernidade e as desilusões amorosas. Apesar de se casar com a jovem Lindaura em 1934, nunca se esqueceu da dançarina de 16 anos que conheceu no Cabaré Apolo, no bairro carioca da Lapa, e o deixou para ficar com o autor de Ai, que Saudades da Amélia, o compositor Mário Lago. Noel eternizou aquele primeiro encontro com Ceci nos primeiros versos de Último Desejo: “Nosso amor que não esqueço/ E que teve seu começo/ Numa festa de São João/ Morre hoje sem foguete/ Sem retrato e sem bilhete/ Sem luar, sem violão”. E encerrou a composição com sarcasmo: “Às pessoas que eu detesto/ Diga sempre que eu não presto/ Que meu lar é um botequim/ Que eu arruinei sua vida/ Que eu não mereço a comida/ Que você pagou pra mim”. Noel fez questão de que sua musa Ceci fosse uma das primeiras pessoas a conhecer a letra de Último Desejo. Já debilitado pela tuberculose que o mataria, recebe Vadico, com quem havia dividido a autoria de outros sambas inspirados em seu amor por Ceci, como Pra que Mentir e O Maior Castigo que Eu Te Dou. Cantarolou nota por nota para o amigo, que transcreveu a melodia para a pauta e se comprometeu a fazer um arranjo de piano. “Quero mais um favor seu, Vadico. Gostaria que você desse uma cópia da letra para Ceci”, pediu Noel.
Cumprindo aquele que era o último desejo do amigo, Vadico levou a letra para Ceci no início de uma noite, quando ela começava o expediente em uma boate. “O que é?”, perguntou a dançarina, confusa. “É um samba de Noel”, respondeu Vadico. “É para mim?”, ela perguntou. “Ele pediu que te desse.” Antes de virar as costas, o parceiro de Noel comentou: “Acho que ele te castiga um pouco nesse samba, Ceci”.
O compositor estadunidense Charles Ives não teve medo de ser uma voz dissonante. Numa época em que os músicos de seu país miravam-se na tradição européia, Ives fez a música que sua imaginação quis. Como a composição não era sua fonte de renda, pôde mais facilmente se libertar das convenções e experimentar inovações que só mais tarde seriam adotadas por outros músicos europeus.
Depois de ter estudado música na Universidade Yale, o compositor entrou para o ramo de seguros. Corretor bem-sucedido, pôde, nas horas vagas, soltar a imaginação em obras de grande complexidade. Suas composições deram muito trabalho na hora da publicação: a Sinfonia N.4, por exemplo, tem trechos em que os instrumentos executam 17 ritmos diferentes de uma só vez. Composta no período de maior criatividade de Ives, entre os anos de 1910 e 1916, essa obra, de difícil execução, é a maior expressão do seu pensamento visionário. Exigia a distribuição dos músicos por pontos diversos do auditório, de modo que o público percebesse intensidades sonoras diferentes. O fascínio pelos sons do cotidiano se faz perceber em diversos trechos da sinfonia, em especial no segundo movimento. Aqui, os metais executam frases de fanfarra em meio a uma textura caótica, barulhenta e atonal. No quarto e último movimento, partes tonais e atonais se digladiam, fechando-se com uma vocalização inovadora para coro.
Esta foi uma de nossas atividades para a disciplina de "Oficina em Jornalismo", do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor). Acabamos o curso, mas o blog continua :-) Entre e aproveite nossas descobertas nesse universo maravilhoso que é a música. Ela não tem raça, credo, nacionalidade nem idioma. E não sabe o que são fronteiras :-)